Houve uma altura em que pensei ter visto todas as formas possíveis de os seres humanos se agredirem legalmente por entretenimento.
Eu estava enganado.
Vamos fazer uma viagem ao passado.
🥊 Boxe – O Original "Segura a Minha Cerveja"
O boxe existe há séculos. Duas pessoas entram num ringue, tocam educadamente nas luvas e passam os doze assaltos seguintes a tentar desfigurar as feições uma da outra.
Certa vez, alguém olhou para a situação de levar socos na cabeça repetidamente e disse: "Sabem o que tornaria isto melhor? Vamos vender bilhetes"
Milhões ainda assistem, e de alguma forma todo o campeão de pesos pesados acaba por prometer que vai "trazer o boxe de volta"
🤼 Luta Livre Profissional – Onde Morre a Lógica
Na minha infância, a luta livre profissional não era apenas um desporto — era uma espécie de religião nas manhãs de sábado.
Nos tempos em que Mean Gene Okerlund segurava o microfone tentando manter a seriedade, o Junkyard Dog entrava a dançar no ringue, "Rowdy" Roddy Piper provocava quem quisesse ouvir, e Hulk Hogan lembrava-nos de rezar e tomar vitaminas, a vida era simples.
Os vilões fizeram batota.
Os heróis mostraram os seus músculos.
Alguém foi atingido por uma cadeira dobrável.
O árbitro, de alguma forma, não viu nada.
Avançando até aos dias de hoje, temos fogo de artifício, entradas cinematográficas, drones, pavimentos LED e pirotecnia suficiente para invadir um pequeno país. Os enredos, de alguma forma, fazem ainda menos sentido do que nos anos 80, e mesmo assim continuo a fazer zapping pelos canais quando ouço alguém gritar: "MEU DEUS!"
🦵 Kickboxing – O Primo Legal
O kickboxing explodiu em popularidade durante as décadas de 1980 e 1990 graças aos filmes de artes marciais e aos heróis de ação que, de alguma forma, derrotavam vinte bandidos sem sofrer um arranhão.
Combinava socos e pontapés num só golpe e fazia com que todos acreditassem que poderiam vir a ser Jean-Claude Van Damme depois de seis aulas no dojo do centro comercial local.
Na realidade, geralmente envolvia dores nos músculos isquiotibiais e uma distensão na virilha.
🥋 MMA – "E se não tivéssemos regras?"
As Artes Marciais Mistas começaram com uma simples pergunta:
"O que acontece se colocarmos todos os estilos de luta numa jaula e trancarmos a porta?"
Nos primeiros dias, parecia que alguém tinha acidentalmente marcado uma aula de karaté contra um lutador de sumo e se tinha esquecido de avisar a segurança.
Hoje em dia é um fenómeno mundial, com atletas de elite que treinam durante todo o ano e fazem com que coisas que deveriam ser impossíveis pareçam rotineiras.
É também o único desporto em que ouvir alguém dizer: "Só foi estrangulado até perder os sentidos uma vez" é de alguma forma considerado encorajador.
👋 Tapa Poderoso – A Humanidade Ficou Oficialmente Sem Ideias
Em seguida, veio a bofetada poderosa.
Aparentemente, alguém viu pessoas a dar estaladas num bar e pensou: "Isto merece um contrato televisivo"
As regras são simples:
Fique aí parado.
Não se mexa.
Leve uma bofetada de outro adulto com a força de uma carrinha de caixa aberta a bater numa caixa de correio.
Por isso, tente não deixar para a próxima terça-feira.
Tenho a certeza de que os médicos assistem a isto com as duas mãos a tapar o rosto.
🚗 CarJitsu – Agora oficialmente já vi de tudo
Assim, enquanto navegava sem parar pelas redes sociais, deparei-me com algo chamado CarJitsu.
A princípio pensei que fosse uma paródia.
Não era.
É literalmente Jiu-Jitsu brasileiro...
dentro de um automóvel.
Dois concorrentes entram num veículo compacto e começam a agarrar-se, torcer-se, estrangular-se e dobrar-se em posições que fariam um quiroprático desistir de imediato.
O volante transforma-se em uma arma.
O cinto de segurança torna-se uma estratégia.
De alguma forma, o encosto de cabeça torna-se um elemento de defesa.
Eu assisti a um vídeo.
Depois, outra.
Depois, outra.
Porque eu não conseguia acreditar que isto fosse real.
Algures, um tipo apresentou esta ideia e outra pessoa respondeu: "Brilhante! Vamos filmar."
Qual o próximo passo?
Luta competitiva num elevador?
Luta de polegares definitiva?
Dança das Cadeiras Radical?
Se a história nos ensinou alguma coisa, é que alguém já está a trabalhar nisso.
A internet continua imbatível em encontrar novas formas de os humanos perguntarem: "E se fizéssemos isso... só que de forma mais estúpida?"
E, aparentemente, continuarei a ver cada segundo ridículo disto.